Santos nos 110 anos de transporte elétrico de passageiros

Atualizado: 29 de Mai de 2019

No dia 28 de abril de 1909 era inaugurada uma nova era de modernidade para o transporte público em Santos: saíam os lentos reboques movidos a muares e entravam os ágeis e confortáveis bondes elétricos.


Inicialmente, foram adquiridos 62 elétricos de passageiros da empresa escocesa Husrt & Nelson Company, que até 1913 foi o principal fornecedor para a City of Santos Improvements Company (CSIC), ou apenas Cia City, como era chamada a operadora do sistema santista.


A partir de 1919, com a infra-estrutura de excelência montada pelos ingleses na Cidade, começou a nascer o que se tornaria a incrível fábrica de bondes santistas. Até 1942, 148 foram produzidos entre reboques, gôndolas e abertos, além dos únicos dois bondes articulados que se teve notícia na época.


Infelizmente, na década de 1950 a era dos sistemas de bondes no Brasil entra em declínio, alavancado por fatores que vão desde o lobby das empresas de veículos a combustão até o modelo rodoviário, modal escolhido à época.

Apesar de sentidos, os impactos em Santos tiveram menor intensidade por conta da infraestrutura invejável deixada pelos ingleses. O Serviço Municipal de Transportes Coletivos (SMTC), criado em 1952 para substituir a Cia City na exploração do transporte de passageiros, lançou o conceito de carroçarias fechadas. Os bondes abertos foram totalmente desmontados e novas carroçarias fabricadas, num projeto genuinamente santista.


Já em 12 de agosto de 1963, com a inauguração do seu sistema de trólebus, Santos adota um segundo modal elétrico de transporte de passageiros. Até 1971, apenas nas cidades do Rio de Janeiro e Santos havia os dois tipos de modais. Naquele ano, os bondes deixaram de rodar pela área urbana santista, enquanto no Rio, cessou a circulação de trólebus.


No ano de 1976, é criada a Cia Santista de Transportes Coletivos (CSTC) e foi nas oficinas da empresa que se deu o restauro do elétrico para implantação, em 1984, da linha de bonde na praia. Enquanto funcionou (três meses), a Cidade foi, novamente, a única do País a operar os dois sistemas de elétricos (bonde e trólebus), de forma simultânea.


Em 23 de setembro de 2000, com a inauguração da linha turística de bondes, Santos voltou a ser a única a ter os dois modais de transporte elétrico operando. A frota de bondes turísticos teve um aumento significativo, principalmente com doações recebidas de instituições e cidades do Brasil e outras partes do mundo, levando à formação do Museu Vivo do Bonde.


Paralelamente, em 2008 começaram os estudos para a implantação de um sistema de Veículo Leve sobre Trilho (VLT). A modernidade em transporte elétrico agora representada pelo VLT chegou efetivamente à região, em janeiro de 2017, com a entrega do primeiro trecho do sistema, com 11,1km, ligando Santos a São Vicente.

Mais recentemente, a Cidade absorveu um outro conceito moderno de transporte elétrico de passageiros, com a incorporação à frota de transporte público municipal de um ônibus elétrico, movido a baterias.



E assim, neste 28 de Abril de 2019, que marca os 110 anos de transporte elétrico de passageiros ininterrupto no País, o Brasil aparece como a única nação da América Latina a ter quatro modais de elétricos operando simultaneamente: bondes, trólebus, VLT e ônibus elétrico movido à bateria.


Por Engº Marcos Rogério Nascimento

Crédito das fotos:

Foto 01 – www.tramz.com

Foto 02 – www.tramz.com

Foto 03 – www.tramz.com

Foto 04 – Novo Milênio

Foto 05 – Catálogo original Fiat

Foto 06 – Paulo Monteiro

Foto 07 – Marcos Rogério Nascimento

Foto 08 - http://muitobemtv.blogspot.com/p/trolebus-de-santos.html

Foto 09 - EMTU

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