Convidamos a descobrir Salamanca: um pedacinho da Espanha e patrimônio da Humanidade

Atualizado: 21 de Ago de 2019



Convidamos a descobrir Salamanca, se nunca veio, prepare-se para ser surpreendido; Se já a conhece, deixe-se surpreender mais uma vez. Uma cidade feliz, universitária e animada espera por você. É a diversidade de pessoas: estudantes, turistas e Salamanca, um dos seus principais atributos, próprios e que são eles que dão à cidade uma agradável atmosfera, fresca e jovem. A cidade está sempre aberta, pronta para receber e entregar a riqueza de seu patrimônio, sua cultura e sua gastronomia. A cidade é Patrimônio da Humanidade e tem muitos cantos e edifícios históricos; Todos eles estão concentrados no centro histórico, por isso a visita deve ser feita a pé. Nascer e pôr do sol são momentos mágicos. A luz transforma o interior e o exterior; um único brilho banha as fachadas douradas e, os personagens que percorreram a cidade ao longo de sua história, estão presentes.


Céu de Salamanca, sob um mesmo Céu

Poucas cidades tem dois céus, um o exterior, o que vemos todos os dias e o outro, em que a vida, os sonhos da cidade, se sintetizam, se resumem,tomam forma. São cidades especiais, conscientes de si, construídas à escala humana, cidades do conhecimento. Nelas, ambos os céus, sendo diferentes e cumprindo funções diferentes, são necessários. Salamanca é uma delas. O outro céu, o pintado por Fernando Gallego, que esteve na antiga biblioteca da Universidade, e foi trasladado ao espaço que hoje ocupa em 1951, obedece a essa premissa. Representa uma das sete artes dos estudos liberais da Universidade, o da astrologia, introduz novas técnicas pictóricas, dá inicio e uma época de esplendor da Universidade e da cidade, e, sobretudo,reflete um novo mundo.É um céu que surpreende pela força, vigência, magnetismo,sob ele sentimo-nos seguros e insignificantes ao mesmo tempo. É um guarda-chuvas simbólico que não só nos cobre a nós, mas a todos, e que simboliza melhor que ninguém a importância e a influencia da Universidade e a cidade em Ibero – América. É laico e cheio de espiritualidade, renascentista e medieval ao mesmo tempo, é um céu e são todos os céus, os de este e do outro lado do mar. A proposta expositiva procura assim apresentá-lo como o que é, um céu que brilha na noite, através de uma iluminação especial e da criação de atmosferas sonoras. E refletir também o seu valor simbólico , através de um pequeno espetáculo no qual a palavra, a poesia, serve de nova estrutura e possibilita o seu desdobramento. Não somos nada sem o céu e por isso o construímos.

As relações entre Salamanca e Ibero - América são múltiplas, ricas e cheias de vida. A cidade tem sido e é referencia para os territórios de ultramar e, ao mesmo tempo a Ibero – América tem estado presente em nosso imaginário como o espelho que nos devolve os nossos melhores sonhos. Nada como passear pela cidade, conhecer sua história aproximar-se à sua pele, ao seu patrimônio ou escutar as conversas da rua, para comprovar a existência desses cordões visíveis ou invisíveis que nos unem. É nesse contexto onde queremos situar esta ROTA URBANA, SALAMANCA – IBERO-AMÉRICA, composta por quatro intervenções em quatro lugares emblemáticos: A COVA, SÃO ESTEVÃO, A UNIVERSIDADE DE SALAMANCA E A CLEREZIA Intervenções que mostram, sobretudo, a importância e a vigência do latino americano na cidade. Um percurso que vai desde a Cova até ao Céu.


A Cova de Salamanca, A Gruta e as “Salamancas” americanas

Todas as cidades têm “lugares especiais” nos quais a história e a lenda se cruzam e nos que o peso desta ultima se impõem ao dos fatos históricos. Isto ocorre com a antiga igreja de São Cipriano ou São Cebrião conhecida como a Cova de Salamanca. Sobre a sua origem, uns afirmam que foi fundada por Hercules, outros a relacionaram com os Árabes ou com os Celta, ainda há quem situe na Cova a entrada para um labirinto de túneis e passagens que recorriam todo o subsolo da cidade. A Salamanca oculta, maldita, mas necessária para que a outra, a Dourada, a “plateresca”, exista. A sua fama foi tão relevante que interessou a literatos e estudiosos – CERVANTES, QUEVEDO, CALDERON, FEIJOO, BOTERO, WALTER SCOTT, ROJAS... -e até atravessou o mar. E assim em Ibero - América chamam-se “Salamancas” as Covas ou lugares ocultos , nos que se praticava a necromancia, a iniciação ou a adivinhação. Aqueles espaços vinculados a uma visão mágica, não racional do mundo.

A visita diurna à Cova possibilitará percorrer a cripta da Igreja de São Cebrião, o lugar onde dia a lenda, estava situada a escola das ciências oculta, a cerca da velha cidade ou a torre de Villena, e uma parte da cidade medieval, renascentista e “plateresca”, cheia de história. E a noturna, através da luz, da imagem e do som, penetrar-nos-á na atmosfera dessa cidade subterrânea, criadora de mitos e lendas, que foi referencia universal também no conhecimento mágico, alquímico, necromante e hermético, para aqueles que procuram o conhecimento na parte obscura da realidade.


Convento de São Estevão, (os Dominicanos) Presença e ação dominicana na América

São Estevão é o protagonista desta proposta expositiva. O convento, as pedras, o edifício que albergou a Domingo de Soto, Martin de Azpilicueta, Diego de Deza ou o Frade Francisco de Vitória, o espaço da palavra dominicana, a procura da verdade e do conhecimento. Somente desde este sitio, desde a sua força, a sua cultura, é compreensível o apoio a Colombo por parte dos Reis Católicos, o Direito de Gentes, precursor do atual Direito Internacional, do Código do Bom Governo, o discurso de Montesinos, a luta de Bartolomeu das Casas, o reconhecimento do outro ou o rápido desdobramento dos dominicanos ao outro lado l do Atlântico. Resumindo, a construção de um mundo novo, com novas regras e jamais sonhado até então.

A intervenção em São Estevão procura precisamente isso, apresentar o convento. Mostrar a porta da plena simbologia, os claustros, clássicos, imponentes e que ao mesmo tempo resumem a paz, e a escada de Domingo de Soto, reflexo da procura da verdade partindo da sua ancoragem na terra. Descobrir a igreja, imponente, ao serviço da palavra e da predicação ou dos capítulos, sobretudo o antigo, como lugar para a discussão, o convencimento pela palavra, as decisões e a memória, o verdadeiro coração que fez e faz latir todo o edifício. Trata-se de passeio para observar, escutar, sentir e compreender, sobretudo, o porquê de São Estevão e o seu papel em Ibero - America.


A Clerezia, Vita Ignatii, Ação e Contemplação

O Real Colégio de São Marcos, hoje Universidade Pontifícia de Salamanca, foi a grande obra da Companhia de Jesus na cidade. Um edifício pensado para a formação de laicos e religiosos, e que apesar do tempo transcorrido, guerras, destruições e partições, respira ainda o espírito de um tempo, o barroco, profundamente contemporâneo e reflete um modo de entender o mundo, o dos jesuítas, global e local ao mesmo tempo, respeitoso com os outros e com suas culturas, e que deixou um importante e singular legado em Ibero - America.

Por isso, a intervenção expositiva neste espaço quer fazer finca-pé nesses aspectos. Por um lado, com a recuperação para o claustro alto – o lugar em que estiveram – dos 28 quadros da vida de São Inácio de Loyola, obra do pintor napolitano Sebastian Conca. Quadros de grande formato, que continuam o programa iconográfico que sobre a vida dos jesuítas realizou Rubens e que falam do papel central que concede São Inácio às imagens, postas ao serviço da Fé, a “didática das emoções”.

E, por outro lado, no espaço intermediário entre o claustro e a Clerezia, com a aparição-instalação, como se um filho do edifício se tratasse, entre a névoa, a música e as pedras, de uma parte da América, as reduções jesuíticas. Uma obra controvertida, um sonho, uma nova republica de DEUS, o reconhecimento dos direitos e cultura dos índios para uns e um mero exercício de engenharia simbólica ou o financiamento dos jesuítas na Europa, para outros. Mas em todo caso, um lugar de grande beleza, de exaltação do barroco, de mistura cultural, de valor, força e dignidade, uma experiência que teve uma grande repercussão na configuração da moderna identidade ibero-americana.


FONTE: TURISMO DE SALAMANCA

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